Afinal, precisamos ou não precisamos de gerentes?

Recentemente li uma entrevista com Ryan Carson, fundador da Treehouse, uma empresa que eliminou o papel do gerente. Absurdo? Poderia parecer um caso isolado, se não prestássemos atenção ao movimento de outras empresas como Valve, WebGoal, WorldBlu, Southwest Airlines, Github, W.L. Gore, Zappos, Morning Star,  e até a santacruzense Mercur.

Mas afinal, gerentes são ou não são necessários? Boa pergunta. Legalmente, alguém responde pelas ações de uma organização. Dessa forma, existe uma necessidade legal da formalização dessa “autoridade para agir”, de forma que os “responsáveis” possam ser encontrados, caso necessário. Ok, mas resolvida a questão legal, para que precisaríamos de gerentes?

Henry Mintzberg estudou diversos gerentes e, ao longo dos anos, evoluiu um modelo para esse papel. De acordo com o modelo de Mintzberg, o gerente atua entre a unidade na qual ele tem responsabilidade formal, o resto da organização e o mundo externo. Para que a unidade consiga servir o seu propósito esta deve tomar ações efetivas. O gerente pode atuar em três planos para que isso aconteça:
– no plano das ações: colocando a mão na massa e negociando com o restante da organização ou mundo externo;
– no plano das pessoas: concretizando resultados a partir do coaching, motivação, construção de times e reforço da cultura, assim como através da aproximação e fortalecimento da rede de relacionamentos do grupo dentro e fora da organização;
– no plano da informação: usando a informação para engajar as pessoas em uma determinada direção, por exemplo a partir da construção de contextos, visões e metas compartilhadas.

Notem que, o que uma organização precisa é de gestão, não necessariamente de gerentes. Entretanto gerentes podem ser (e geralmente são) necessários para que essa gestão ocorra.

Essa é uma discussão aprofundada nos cursos de Management 3.0, sem ignorar que as pessoas operam dentro do contexto de organizações complexas. Nesses contextos, além de visualizar o papel do gestor é importante considerar estruturas que fortaleçam a comunicação. No curso de Management 3.0 também debatemos sobre como crescer uma estrutura organizacional como um fractal, como balancear especialização e generalização, como escolher entre times funcionais e multifuncionais, sobre liderança informal e cargos abrangentes, e sobre tratar times como unidades de valor.

Caso você tenha interesse em participar do curso, não deixe de se inscrever. Temos uma próxima turma iniciando no dia 17 de Março em Porto Alegre.

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